segunda-feira, 30 de junho de 2008

trabalho final

1 – Responder 2 questões postas por seminários distintos, baseadas nos textos da bibliografia (disponíveis na midiateca) e nas discussões de sala de aula. Observar que nenhuma das questões seja do próprio seminário. (As questões dos seminários a serem consideradas são as que se encontram no blog da professora).



Questão do Seminário 1
1. Como a mudança da leitura em voz alta para a leitura silenciosa pode ter contribuido para a emancipação do homem à Idade da Razão?

Com a mudança da leitura em voz alta para a leitura silenciosa, por volta do séc IX, ocorreram muitas mudanças na maneira de ver e interpretar o mundo, entre muitas mudanças, entre elas, a liberdade que o leitor teve de escolher suas leituras, permitiu interpretações singulares. Isso por exemplo, abriu um leque , o que permitiu que antigos hereges revolucionassem suas práticas e cometessem “heresias”. Manguel, cita alguns exemplos, como a pregação do monge Martinho Lutero, realizada na porta de igreja, contra a prática de indulgências, depois de ter estudado individualmente as Escrituras e chegado a conclusão de que “a graça divina de Deus suplantava os méritos da fé adquirida”. Ou seja, a prática da leitura silenciosa, permitiu que houvesse uma certa liberdade de questionamentos que até então não existiam. O tempo de leitura não era mais o mesmo, podia-se ler mais rápido, além disso o leitor podia comparar as leituras realizadas com outras leituras o que mais uma vez contribuiria também para construir um pensamento questionador , transformador e formador de opinião.

MANGUEL, Alberto. Uma história da Leitura. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 57-71.


Questões do Seminário 4
1. Os meios audiovisuais (TV, cinema, computador) interferem no interesse do leitor por leitura de qualidade? Altera a relação do leitor com o texto?

Os meios audiovisuais podem sim interferir no interesse do leitor por uma leitura de qualidade. Acredito que os bons leitores, por valorizarem uma obra e entenderem o valor cultural daquele processo, nunca abandonarão o velho e bom livro. Ao contrário, acho que podem aprimorar os seus conhecimentos da leitura, utilizando esses meios como ferramentas para prática da leitura. Desse modo , a interferência é no sentido de contribuir.
A relação do leitor com o texto, com certeza, fica alterada quando influenciada por meios audiovisuais. Segundo Petrucci, com a influencia dos meios audiovisuais, a leitura vem “fragmentada”. Ele diz: “A leitura então deixa de ser linear e progressiva e passa a ser uma leitura transversal, interrompida.” Para ele, o jovem de hoje em dia rejeita o cânone imposto pela leitura tradicional dos séculos passados, desde a postura que adota quando lê um livro como o ambiente que escolhem para isso. Ele considera, que o jovens leitores hoje, além de alterarem o modo de ler, também estão transformando a prática de leitura. Portanto, alterando a sua relção com os textos lidos.

PERTUCCI, A .Ler por ler: um futuro para a leitura. In: CAVALLO, G . : CHARTIER, R . A História da Leitura no Mundo Ocidental. São Paulo: Ática, 1999. vol. 2, p.203- 227





2 – A partir do blog da professora, escolher um dos tópicos e desenvolver uma reflexão sobre o tema. À reflexão pode estar associada uma experiência pessoal do aluno ou um texto de algum dos autores lidos. Evitar refletir sobre mesmo tópico que já tenha sido abordado em seu blog.

Ler por prazer
O prazer na leitura decorre de um processo de interação entre leitor e texto. É possível quando o leitor entra em sintonia com o texto e estabelece diálogo com as idéias ali representadas. Perceber o que e como fala o texto, que tipo de leitor o texto espera e que tipo de vínculo é possível estabelecer com ele pode ser uma pré condição para o prazer.No entanto, para conhecer essas demandas e obter condições propícias para a leitura, é preciso que o leitor se exponha ao texto tempo suficiente, que se abra para as novas possibilidades de representação. Então a interação entre leitor e texto pode acontecer de forma prazerosa.

O prazer da leitura é algo intrigante para mim, quando desconhecemos o autor, ou quando não temos familiaridade com o tema, penso que precisamos nos abrir para tal experiência de leitura. Sinto muito isso , quando vou começar a ler um texto, muitas vezes, fico presa a essas questões, de quem é , do que se trata, se tenho ou não familiaridade com o tema. Tenho notado, que esse exercício de abertura para o texto, tem me dado mais prazer de ler algo que até então não era familiar para mim. Tem me ajudado e incentivado a leitura de novos autores e obras.
Na própria oficina aconteceu isso, os textos lidos para realização do seminário, no inicio tive dificuldades, no entretanto, percebi que ao longo da leitura,deveria fazer pausas , reflexões, perguntas ao autor, isso facilitou a continuação e fluência da leitura. Permitiu uma outra relação como o texto.
Comecei a compreender que nem sempre se obtêm prazer, somente por autores escolhidos que se conhece o esperado, mas que para se ter prazer temos que nos abrir para o texto dialogar com ele.
Concordo com as afirmações do texto acima, pois vivi isso recentemente e foi muito prazeroso perceber isso. Essa idéia tem revolucionado minhas idéias sobre a leitura de um texto.


3 – Comentar um dos textos ficcionais (contos e poema) lidos no semestre e que não tenha sido abordado em seu blog.

Escolhi para comentar o poema de João Cabral de Melo Neto, Catar Feijão. Ao ler o poema , pela primeira vez, logo percebi que se tratava de uma comparação, mas fiquei tão preocupada em compreender e interpretar , que as palavras me cegaram completamente, Me prendi as palavras que desconhecia, tentando decifrar , por exemplo, o significado de alguidar, ou o que eco(palavra que está sobrando) teria a ver com escrita. A palavra limita, na primeira estrofe, em um primeiro momento , compreendi como um limite, como um fim,como se reduzisse, assim ficou complicado seguir para próxima linha.
Fiquei ansiosa, em um primeiro momento, acho que com o fato de ser um poema de João Cabral, me deixava mais ansiosa, pois para o meu repertório de experiências com leituras dele, tinha lembranças de uma leitura difícil e destinada somente para pessoas “mais intelectuais.” Isso me paralisou . Li diversas vezes, e foi percebendo que para mim isso fazia sentido, pois a cada releitura ia sentido que compreendia mais.
No poema, o autor, faz uma comparação entre o ato de escrever e o ato de catar feijão . Vai fazendo aproximações do ato da escrita com catar feijão . Compara por exemplo o alguidar a folha de papel. As palavras permanecem no papel no papel assim como os feijões. Mais adiante, ressalta que há um risco no catar feijão ou no escrever, o de mastigar grãos duros, indigestos ou melhor o risco da má interpretação. Ele diz , ao mesmo tempo, que “a pedra dá a frase seu grão mais vivo...obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com risco.” Ou seja , a palavra muitas vezes chama atenção do leitor, foi o que aconteceu comigo ao ler este poema. O poeta “isca” para chamar atenção do leitor.



4 – Fazer um comentário crítico sobre um dos livros lidos no semestre ou sobre o filme “O carteiro e o poeta”.

O livro a “Hora da Estrela”, escrito por Clarisse Lispector pouco antes de morrer. Nesse livro ela, cria um personagem que é o próprio autor do livro. O autor sofre um dilema na construção da personagem, ele muitas vezes, parece não agüentar a própria personagem criada. Sofre um dilema na construção. Ao longo do livro, o autor parece não suportar aquela miséria e ingenuidade instaurada na personagem. Trata-se de uma mulher muito sofrida, vinda do nordeste e que vive uma vida miserável , triste e que não possui o menor senso critico.
Essa é uma obra diferente de Clarisse, pois não é a própria autora, na maioria de seus livros fala muito de suas experiências, sentimentos, faz conexões com a própria vida. Nesse livro , faz algo inovador, não fala de sua intimidade e sim cria um autor que não tem nada a ver com ela.
O dilema do autor causa uma certa angustia para o leitor, que por sua vez, pode se misturar a ele. Portanto, é uma leitura que considero difícil.
Achei o livro triste , pois a personagem em questão faz entrarmos em contato com o tema da solidão, do desamparo , do abandono e da morte.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A Hora da Estrela- um texto que não flui

Comecei a ler o livro, infelizmente , influenciada pelo filme visto há alguns anos atrás. Conhecia pelo filme, a triste história de uma mulher chamada Macabéa. Ela é aprtagonista do filme, uma nordestina que migrou para o rio de Janeiro e enfrenta muitas dificuldades.
Ao ler o livro , no inicio estava curiosa para o desenrrolar da história , mas demorou muito para acontecer. Na verdade percebi que o livro tratava-se de um dilema do autor na construção do personagem. Fui ficando frustrada , pois senti que o texto não fluia, ficava sempre na mesma,descriçào da vida de uma personagem pura, ingenua, sem senso crítico que nunca chega a nenhum lugar .

O filme e o texto, parecem abordar conexões diferentes, livro é denso e tenso, senti angustia ao tentar terminá-lo, já o filme muda compltamente a concepção apesar de ser triste tambem a história, não temos que nos esforçar para chegar ao fim!!!

Proust e a Leitura

Selecionei alguns trechos do livro "Sobre a Leitura" de Marcel Proust, que achei mais interessantes . Gostei muito da forma poetica com que fala sobre a sua infancia e sobre a infancia em si.Descreve como eram suas leituras de infancia.

Ao falar sobre a leitura , faz criticas a algumas idéias que Ruskin tem sobre a leitura , Ele diz:" Ele não procurou ir ao cerne da idéia de leitura. Não quiz , para nos ensinar o preço da leitura, senão contar-nos uma espécie de belo mito platônico, com a simplicidade dos gregos que nos mostraram quase todas as idéias verdadeiras e deixaram aos escrupúpulos modernos a preocupação de aprofundá-las"

Ao contrapor a opinião de Ruskin Diz: ".. que as leituras da infância deixam em nós é a imagem dos lugares e dos dias que fizemos." Nota-se , como ele consedera o ambiente, o contexato em que a leitura é realizada são interferencias fundamentais em uma leitura.

Mais adiante , afirma: "A leitura não poderia ser assimilada a uma conversação, mesmo com o mais sábio dos homens; que a diferença essencial entre um livro e um amigo, não é a sua maior ou menor sabedoria, mas a maneira pela qual a gente se comunica com eles, a leitura, ao contrário da conversação consistindo para cada um de nós em receber a comunicação de um outro pensamento, mas permanecendo sozinho, isto é, continuando a desfrutar do poder intelectual que se tem na solidão e que a conversação dissipa imediatamente , continuando a poder ser inspirado, a permanecer em pleno trabalho fecundo do espírito sobre si mesmo."

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Resumo: Mediaçaõ editorial

Resumo elaborado por Cintia Salva, Mariana Araújo Stefanini e Maria Fernanda Lapastini.

Texto: CHARTIER, Roger. A mediação editorial. In : Os desafios da escrita. São Paulo: UNESP, 2002, p. 61-76.

A questão essencial discutida por Roger Chartier neste texto, refere-se ao processo pelo qual os diferentes profissionais envolvidos com a publicação, dão sentido aos textos transmitidos, impressos e lidos. Salienta que nesse sentido os textos não existem fora dos suportes materiais que os veiculam.
Esses suportes materiais que permitem, possibilitam a leitura, a visão e a audição de um texto, influenciam na construção de seu significado.
Devemos considerar a dupla historicidade do escrito, observando o tempo e o lugar que lhe são próprios e também as formas materiais de sua inscrição e de sua transmissão. A atenção dada à materialidade dos textos revela que a função expressiva de elementos não-verbais intervêm, não apenas na organização do manuscrito ou na disposição do texto impresso, mas também na leitura em voz alta, na representação teatral, etc. O que D. F. Mckenzie (1986) designa como “a relação de forma com o sentido”. (p. 64)
O processo de publicação acarreta em várias interferências no texto, como a pontuação e a correção.
A pontuação, nas edições antigas (metade do século XV e o início do XIX), cabia aos tipógrafos, eles eram os responsáveis pelas escolhas gráficas e ortográficas. A pontuação, as variações gráficas e ortográficas não eram resultado da vontade do autor, mas sim, dos hábitos dos operários que compunham o texto para que se tornasse um livro impresso.
Já os corretores são profissionais letrados, contratados pelas livrarias e por impressores para garantir às suas edições a maior acuidade lingüística possível. Cabe a eles acrescentar maiúsculas, acentos e pontuação, que fixam as convenções gráficas e normalizam a ortografia e a sintaxe.
Em edições antigas são raros os casos em que a pontuação segue as próprias intenções do autor. Com isso, existem variações do significado de um mesmo texto dependendo das diferenças nas maneiras de pontuar. A pontuação incorreta pode inverter o sentido do texto original.
No “antigo regime tipográfico” as intervenções editoriais eram feitas em razão dos públicos visados. Eram estes que comandavam as decisões quanto ao formato, ao papel, aos caracteres, a presença ou não de ilustrações.
Um exemplo disso apareceu na França, séculos XVI e XVII, onde publicaram-se livros de baixo custo, designados “livros azuis”. Estes livros formaram a Biblioteca Azul, que continha livros de todos os gêneros e de todos os períodos promovendo a difusão entre um maior público.
As transformações realizadas por editores e corretores incluem alterar o número de parágrafos, número de capítulos, encurtar textos, amputar fragmentos e comprimir frases. Estas transferências são feitas de acordo com o que os editores acreditam que irá atrair o público desejado. Se este trabalho de adaptação for feito rapidamente e sem cuidado, leva a incoerências. Na idéia de transformar a leitura em algo mais fácil, tais operações podem na realidade, dificultar a compreensão do texto. Essa ação está ligada as necessidades da edição barata e com poucas exigências quanto a preparação do original ou de sua revisão.
Outro exemplo citado pelo autor refere-se aos “pliegos sueltos” (dobra solta) responsável pela circulação da forma poética mais tradicional, o romance, na Castela, século XV. Seu destaque se dá devido à produção em grande escala para a época. (1.200, 1.500 exemplares de folha imprensa)
Na Inglaterra, metade do século XVI e metade do século XVII, na literatura de venda ambulante estava em circulação em grande escala os ballads. Texto largamente difundido e que dado seu baixo preço, colocava-se ao alcance dos mais modestos compradores. Além deste, surgiram outros fenômenos editoriais na Inglaterra nesta época e com este mesmo perfil ( os penny books).
Os editores desempenham um papel essencial na mediação cultural inventando fórmulas capazes de associar o repertório do texto e a capacidade produtiva. Enquanto que a forma dos textos está entregue às preferências dos autores, dos copistas, dos corretores e dos compositores.
A grande produção de livros acarretou, no final do século XV e início do XIX, em um receio da perda e no medo do excesso. Estes temores levaram a humanidade a salvaguardar o patrimônio escrito, com a coleta dos textos antigos à edição dos manuscritos, a criação de catálogos e enciclopédias, ou seja, buscava-se resgatar as origens dos textos publicados.
O autor salienta que essa história da mediação editorial não é meramente um capítulo da história econômica, não se trata apenas do número de exemplares vendidos ou do seu preço mais barato, mas sim de duas grandes mudanças.
· A significação dos textos muda, quando mudam as formas de fazê-los e de paginá-los.
· Modificando as possibilidades de acesso à cultura impressa modifica-se a composição social e as expectativas culturais do público-leitor.
São estas, as duas principais idéias apontadas por Roger Chartier neste texto.

sobre a leitura

“a presença de um leitor ativo que processa e examina um texto, implica que sempre deve existir um objetivo para guiar a leitura; em outras palavras, sempre lemos para algo, para alcançar alguma finalidade”. Seja esta leitura um leque de diversidades como ler para uma prova, ler para se distrair, ler para uma roda de discussão, ler para uma criança, ler por prazer etc. "
Isabel Solé